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Conheça os palestrantes e assuntos que serão abordados no evento.
10
nov

Palestrante Especial do Top de Marketing ADVB/RS

A escola que provoca o pensamento disruptivo e valoriza as perguntas como forma de entender as transformações no comportamento

Metade inglês, metade escocês, assim se define o britânico Tim Lucas, que vive no Brasil há 10 anos, palestrante do 34º Top  de Marketing ADVB/RS, evento que integra o Fórum da Transformação, que acontece nos dias 16 e 17 de novembro, no Centro de Eventos BarraShoppingSul. Antropólogo, Tim Lucas lecionou em universidades da Inglaterra, em disciplinas sempre voltadas a temas como comunicação, cultura e juventude. Após esse período realizou consultoria e pesquisas comerciais para marcas como BBC, The Guardian, Nike, entre outras, e desenvolveu um projeto que buscava entender e melhorar a situação do futebol no País, marcado pela violência dos hooligans. “Sempre estive ligado ao comportamento de consumo, o que eu chamo de small data, pequenos grandes insights, como, por exemplo, um insight simples sobre o comportamento de uma pessoa pode ter um grande impacto para uma marca”, explica. Tim considera-se um privilegiado pois, além dos trabalhos que desenvolveu com marcas tão expressivas, sua labuta propiciou que conhecesse e morasse em países tão diversos como EUA e Grécia.

Atualmente, Tim Lucas possui uma agência de insights de comportamento de consumo e de pessoas, a The Listening Agency, mas é fazendo parte da equipe da Hyper Island, no Brasil, que considera sua atuação mais importante hoje. A Hyper existe há 20 anos desde que foi criada na Suécia, como uma escola de inovação e de chain manage voltada para empresas e profissionais. Erguida no prédio de uma antiga prisão ― o espaço foi totalmente reformado e segue sendo a unidade matriz ― a Hyper já está presente em cinco países: Inglaterra, EUA, Suécia, Cingapura, Brasil (que representa toda a América Latina). Entre seus principais projetos estão os masterclasses, encontros de 3 dias para pensar a inovação, disrupção e o impacto disso nas empresas. “Não somos experts, nos destacamos pela qualidade das perguntas. Ninguém sabe tudo. Criamos jornadas dentro das empresas para que as pessoas mudem seu próprio comportamento. Vamos até as empresas para pensarmos juntos, em parceria, sobre a nossa cultura exponencial, sobre como a tecnologia está mudando a nossa vida”, destaca. Os cursos já foram solicitados por empresas como Unilever, Nestlé, Bayer e Itaú.

O Brasil é o segundo mercado em importância para o negócio da Hyper, e deve superar a Suécia nos próximos dois anos. O público por aqui é basicamente formado por líderes seniors. Como não possuem ambiente fixo, a escola itinerante loca espaço para a realização dos seus encontros, como o realizado recentemente em Porto Alegre. “Somos de São Paulo e queríamos fazer uma experiência no Sul do País, principalmente porque já sabíamos que este mercado é muito criativo, com profissionais bem informados e com educação de alto nível. O resultado foi muito positivo. Já temos um segundo encontro previsto para março de 2017”.

Apesar da fórmula da Hyper já não ser inédita no Brasil, a equipe quer se diferenciar das consultorias pelo próprio formato e proposta de escola. “Imagina trabalhar com uma empresa de 150 anos, que nasceu com aquela ideia do passado, aquele entendimento do passado, é um enorme desafio, mas que dá muito prazer”. Tim ressalta que a ideia de transição é verdadeira, mas que essa transição sempre existiu, está sempre em movimento e que a cultura não é estática, que as mudanças são exponenciais. “Todos precisam mudar e todos temos os mesmos desafios. Principalmente as empresas grandes, que foram criadas para entender uma sociedade industrial, e hoje precisam compreender uma sociedade digital; o comportamento das pessoas é diferente, as ferramentas são diferentes, as expectativas do consumidor são diferentes. E a gente ainda vive nesses dois mundos, o que causa esse estranhamento”, conta.

Tim reforça que apesar das empresas, como todas as grandes instituições, permanecerem ainda muito reservadas, lá dentro tudo mudou. Com todo o acesso à informação, a democratização da tecnologia, e a oportunidade de todos poderem criar conteúdo, as pessoas estão mais à frente das empresas com as mudanças sociais, as novas ideias. Para ele o grande desafio é resolver as aflições das vidas das pessoas, suas necessidades e possuir um propósito como marca. “É preciso olhar para os modelos de disrupção e entender essas aflições, os problemas no dia a dia das pessoas. Interromper a vida com anúncios, comprar mídia dessa forma, isso já não é mais aceito. Para iniciar uma boa conversa é preciso oferecer algo relevante. Qual o seu propósito? Por que você existe e o que está fazendo no mundo hoje?”.         

Empatia das marcas

As marcas estão cada vez mais voltadas para a geração de empatia. “Estamos mudando de um mundo onde tudo era off até ficar on para um mundo onde tudo é on até ficar off. É a relação de empatia e tecnologia. Preferimos falar por meio dos nossos aplicativos e smartphones do que cara a cara, por isso estamos sofrendo; a tecnologia também traz novas possibilidades. É interessante ver como algumas empresas já estão voltando a sua atenção para isso, para como desenhar a empatia”.

Para Tim, a tecnologia também está permitindo que as pessoas estejam mais atentas ao comportamento humano, a entender os microcomportamentos; o small data É que leva uma empresa a inovar, a necessidade do consumidor é o que gera a alavanca para a inovação. Tim explica que vivemos em um momento exponencial, no qual o comportamento das pessoas está mudando muito rápido. “Como diz a frase ‘We shape our tools and then our tools shape us’, o homem forma as ferramentas e as ferramentas formam o homem. Foi sempre assim, a tecnologia traz novos comportamentos que nos leva a novas possibilidades”. Tim destaca que é contra os rótulos dados às novas gerações: “Afinal de contas quem não quer uma comida boa ou uma empresa que cuida do ambiente? Com esses rótulos perdemos as mudanças estruturais e granulares, pequenas, que são mais importantes. As mudanças de uma sociedade, os valores, são mais evidentes para as pessoas mais jovens, que adotam novos comportamentos mais rápido, sempre foi assim”.

As perguntas certas

O estudioso destaca dois aspectos importantes para o movimento certo das empresas nessas transformações: a curiosidade, já que para ele não existe nenhum setor que não possa ser disruptivo. Quanto mais perguntas se faz sobre seu próprio comportamento, sobre sua empresa são maiores as chances de aprender. O outro ponto se refere ao aprender rápido. Ele ressalta a importância da reflexão, que acaba ficando em segundo plano devido à urgência dos negócios. “Ninguém quer errar, mas a profundidade de aprender com os nossos erros é o que vai definir o nosso futuro. Se você acha que tem as respostas é porque você está fazendo algo errado. A forma de fazer as perguntas difíceis é o mais importante. As startups já nascem com esse conceito”, conclui.